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09.10.2026 · Signal Titans Editorial

Ensinar sem Darwin: Como a firmeza juvenil de James P. Allison antecipou uma revolução no tratamento do câncer

Como a exigência do imunologista James P. Allison pelo ensino da evolução moldou suas pesquisas pioneiras sobre células T e o combate ao câncer.

Um béquer de vidro com líquido azul-turquesa brilhante e um microscópio de metal sobre uma mesa de mogno escuro polido em um laboratório de tom âmbar suave.

Em 1964, James P. Allison, então aluno do último ano do ensino médio, enfrentou um impasse com a direção de sua escola em Alice, no Texas. Ele se recusava a frequentar a aula de biologia convencional porque o currículo omitia a teoria da evolução de Charles Darwin devido a crenças religiosas do corpo docente. Allison argumentou que estudar biologia sem evolução fazia tanto sentido quanto estudar física sem Isaac Newton. Diante do aviso das autoridades escolares de que ele não se formaria sem a disciplina obrigatória, uma orientadora propôs um compromisso: Allison cumpriu a exigência mediante um curso por correspondência oferecido pela Universidade do Texas em Austin, concluindo o ensino médio em 1965.

Fotografia: James P. Allison
Fotografia: James P. Allison. Foto: Bengt Nyman from Vaxholm, Sweden. Wikimedia Commons · CC BY 2.0. Redimensionada e convertida para WebP; sem retoques.

O garoto que exigiu Darwin

Nascido em 1948 na cidade de Alice, no sul do Texas, Allison cresceu observando o trabalho de seu pai como médico local. Sua infância tomou um rumo doloroso no verão de 1960 quando, aos onze anos, ele perdeu a mãe para um linfoma. De acordo com o relato biográfico de Allison, o câncer raramente era mencionado com franqueza naquela época, e ele só compreendeu a gravidade da doença ao vê-la retornar das sessões de radioterapia com queimaduras severas no pescoço. Essa perda precoce, somada aos falecimentos posteriores de dois tios por melanoma e câncer de pulmão, incutiu nele uma conscientização duradoura sobre a oncologia, mesmo enquanto seus objetivos imediatos se voltavam para a ciência acadêmica.

Da lavagem de vidrarias ao teste de hipóteses

Ao ingressar na UT Austin, Allison inicialmente seguiu a grade preparatória para medicina, mas logo se desiludiu com a memorização mecânica. Em busca de experiência prática em pesquisa, aceitou um trabalho lavando vidrarias de laboratório para G. Barrie Kitto, professor assistente de bioquímica. Com o tempo, Kitto permitiu que ele executasse experimentos, ajudando Allison a perceber que preferia a natureza de tentativa e erro da ciência experimental em vez da prática médica. Fora do laboratório, manteve sua paixão pela música. Mais tarde, enquanto realizava seu pós-doutorado na Scripps Clinic em La Jolla, Califórnia, Allison tocava gaita todas as terças-feiras à noite com Clay Blaker e a Texas Honky Band em um bar simples chamado Stingaree.

Desvendando o receptor das células T

Em 1977, Allison aceitou um cargo em um novo instituto de pesquisa criado pelo M. D. Anderson Cancer Center em Smithville, no Texas. Situado na região de Lost Pines, o pequeno instituto permitiu que ele investigasse as células T, os glóbulos brancos especializados do sistema imunológico que identificam e destroem células-alvo anormais. Na época, o mecanismo molecular pelo qual as células T reconheciam alvos estranhos era desconhecido. Trabalhando ao lado do estudante de pós-graduação Bradley McIntyre, Allison desenvolveu anticorpos monoclonais contra linfomas de células T de camundongos e identificou com sucesso a estrutura proteica subjacente do receptor de antígeno das células T, solucionando um dilema fundamental da imunologia.

Decifrando sinais e o encontro com Sharon Belvin

Após transferir seu laboratório para a Universidade da Califórnia em Berkeley, Allison concentrou-se em entender como as respostas das células T são ativadas e desativadas. Em 1992, Fiona Harding, pesquisadora de seu laboratório em Berkeley, demonstrou que a proteína de superfície celular CD28 fornece o segundo sinal essencial necessário para ativar plenamente as células T. Subsequentemente, Allison investigou a CTLA-4, outra proteína de superfície das células T que atua como um freio inibitório, formulando a hipótese de que o bloqueio desse freio poderia permitir que as células imunológicas atacassem os tumores.

Em 2006, enquanto trabalhava no Memorial Sloan Kettering Cancer Center em Nova York, Allison conheceu Sharon Belvin, uma paciente de 24 anos cujo melanoma metastático em estágio IV entrou em remissão completa após ela participar de um ensaio clínico de uma terapia experimental anti-CTLA-4. Belvin havia recebido anteriormente a notícia de que tinha apenas alguns meses de vida, mas o tratamento eliminou seus tumores. Para Allison, ver uma paciente prosperar anos após receber a terapia demonstrou como a pesquisa laboratorial fundamental, movida por hipóteses, pode se traduzir diretamente em aplicações médicas capazes de salvar vidas.

Imagem de capa: ilustração gerada por IA; não é uma fotografia documental.

Fonte: Nobel Prize James P. Allison