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09.10.2026 · Signal Titans Editorial

Além da tragédia dos comuns: como Elinor Ostrom criou um modelo colaborativo de governança de recursos

Como Elinor Ostrom superou barreiras acadêmicas para construir um modelo colaborativo de governança de recursos e reformular a economia institucional.

Ilustração editorial de uma bancada de trabalho em carvalho-mel com canais de água em vidro ciano, engrenagens de latão e uma lupa sob iluminação suave e quente.

Elinor Ostrom revolucionou a economia institucional ao demonstrar como comunidades locais podem autogovernar recursos compartilhados de forma eficaz, sem a necessidade de controle estatal obrigatório ou privatização.

Superando barreiras institucionais na academia

No início da década de 1950, Elinor Ostrom entrou para a equipe de debate da Beverly Hills High School, onde aprendeu a avaliar argumentos de políticas públicas sob perspectivas opostas. Nascida em Los Angeles em 7 de agosto de 1933, ela cresceu durante a Grande Depressão e financiou seus estudos dando aulas de natação. Mais tarde, ingressou na UCLA, onde aceitou empregos de baixos salários na biblioteca da universidade, em uma loja de utilidades e na livraria do campus para concluir a graduação em apenas três anos, formando-se sem dívidas.

Quando decidiu cursar a pós-graduação, o Departamento de Economia da UCLA a desestimulou a se candidatar ao doutorado porque ela não havia cursado matemática avançada no ensino médio nem na graduação. Por fim, o Departamento de Ciência Política da universidade a aceitou em uma turma de doutorado de 40 alunos que incluía apenas outras três mulheres. Essa admissão ocorreu apesar da resistência de professores que questionavam se alunas de pós-graduação deveriam receber bolsas de assistência de pesquisa.

Das águas subterrâneas ao policiamento metropolitano

Ostrom perseverou na pós-graduação e defendeu sua tese de doutorado em 1965 sobre a economia política da governança de bacias hidrográficas subterrâneas no West Basin, no sul da Califórnia. Naquele mesmo ano, mudou-se com o marido, Vincent Ostrom, para a Universidade de Indiana em Bloomington. O departamento a contratou como professora assistente visitante para ministrar a disciplina introdutória de Governo Americano às terças, quintas e manhãs de sábado, às 7h30.

Na Universidade de Indiana, Ostrom iniciou um estudo empírico de 15 anos focado no desempenho do setor policial em áreas metropolitanas dos Estados Unidos. Enquanto acadêmicos da época presumiam que a coexistência de múltiplos departamentos independentes gerava caos na prestação de serviços públicos, as pesquisas de Ostrom revelaram uma realidade empírica diferente. Seus resultados comprovaram que departamentos de polícia de pequeno e médio porte, com 25 a 50 agentes, superavam consistentemente grandes departamentos com mais de 100 agentes na entrega de serviços diretos, como patrulhamento, controle de tráfego e investigações criminais.

A filosofia do Workshop

No início dos anos 1970, Ostrom e Vincent Ostrom fundaram o Workshop em Teoria Política e Análise de Políticas Públicas na Universidade de Indiana em Bloomington. Eles conceberam o Workshop sob a ideia de que a pesquisa científica é um trabalho artesanal, criando um espaço interdisciplinar no qual economistas, cientistas políticos e pesquisadores sociais examinavam como as regras afetavam a gestão de recursos.

A partir de meados dos anos 1980, Ostrom passou a integrar um comitê do Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA incumbido de revisar estudos empíricos sobre recursos de uso comum. O trabalho do comitê evidenciou uma profunda fragmentação acadêmica. As pesquisas sobre recursos compartilhados — como pescarias, pastagens e sistemas de irrigação — estavam divididas entre diferentes disciplinas, métodos de pesquisa e setores geográficos, o que impedia que estudiosos de áreas distintas aprendessem com as descobertas uns dos outros.

Governança global e ação coletiva

Para combater essa fragmentação e coletar dados padronizados sobre recursos de uso comum, Ostrom criou, no início dos anos 1990, uma rede colaborativa internacional em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Em vez de enviar pesquisadores americanos ao exterior, o programa capacitou acadêmicos locais nos próprios países participantes para coletar dados de campo sobre as condições florestais e as estruturas de governança local.

Esse modelo de pesquisa colaborativa serviu de base para Ostrom demonstrar que comunidades locais conseguem autogovernar recursos compartilhados com sucesso, sem depender exclusivamente da regulamentação estatal centralizada ou do controle do mercado privado. Suas evidências empíricas de que os próprios usuários de recursos criam regras eficazes de ação coletiva transformaram profundamente a economia institucional e a governança ambiental global.

Ilustração editorial gerada por IA; não é uma fotografia documental.

Fonte: Nobel Prize Elinor Ostrom