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09.10.2026 · Signal Titans Editorial

Seis engenheiros e uma licença: como o Internet Explorer dominou a web

Criado por seis pessoas em 1994, o Internet Explorer licenciou o código do Spyglass Mosaic antes de criar seu próprio motor e dominar a web.

Ilustração de uma bússola de vidro translúcido brilhante com estrutura de agulha laranja ao lado de um telescópio de latão prateado sobre um fundo azul-marinho profundo.

A história do Internet Explorer começou com uma pequena equipe e um acordo de licenciamento, transformando-se rapidamente em uma força dominante que moldou os primórdios da web.

Uma corrida com seis pessoas

No verão de 1994, o engenheiro da Microsoft Thomas Reardon deu início a um projeto interno para criar o primeiro navegador web gráfico da empresa. Sem um motor de navegação próprio na época, a Microsoft buscou tecnologias comerciais existentes para acompanhar o crescimento acelerado da World Wide Web. No final de 1994, a empresa negociou um contrato de licenciamento para o código-fonte do Spyglass Mosaic, um navegador desenvolvido a partir de um código levemente derivado do pioneiro NCSA Mosaic. Pelos termos contratuais, a Microsoft concordou em pagar à Spyglass uma taxa trimestral além de uma porcentagem sobre as receitas de softwares que não fossem para o Windows. O trabalho começou com uma estrutura extremamente enxuta: a equipe inicial de desenvolvimento do Internet Explorer contava com cerca de seis pessoas. Esse pequeno grupo montou a primeira versão, lançada em 1995 como parte do Internet Jumpstart Kit, incluído no pacote Plus! para o Windows 95.

Batalhas judiciais e escalada financeira

A estrutura financeira do acordo com a Spyglass logo gerou graves atritos jurídicos. Como a Microsoft distribuía o Internet Explorer gratuitamente em complementos do sistema operacional e atualizações de serviço, em vez de vendê-lo como um produto independente para outros sistemas, a Spyglass não recebia royalties percentuais previstos no contrato. A disputa escalou para um processo judicial formal por royalties não pagos, resolvido pela Microsoft em 22 de janeiro de 1997 mediante um acordo de 8 milhões de dólares. Apesar das complicações legais, a Microsoft ampliou rapidamente seu investimento financeiro no desenvolvimento web no final dos anos 1990. A empresa passou a investir mais de 100 milhões de dólares por ano no Internet Explorer, expandindo a equipe de engenharia dos seis membros originais para mais de 1.000 pessoas até 1999.

Atualizações do motor e domínio de mercado

Para substituir o código licenciado original e construir uma arquitetura capaz de suportar os padrões modernos da web, a Microsoft desenvolveu seu próprio motor de navegação. Em setembro de 1997, a empresa lançou o Internet Explorer 4, apresentando o recém-criado motor de renderização Trident. O Trident ofereceu à Microsoft uma base técnica própria para implementar padrões emergentes e extensões proprietárias de documentos. Combinado à estratégia agressiva de integrar o navegador diretamente ao sistema operacional Windows, o novo motor permitiu que o Internet Explorer superasse seu principal concorrente, o Netscape. Essa estratégia de profunda integração ao sistema operacional provou ser eficaz, impulsionando o Internet Explorer de um recurso opcional a uma fatia de mercado global recorde de 95% em 2003.

O legado do motor no Edge

Ao longo das duas décadas seguintes, a dinâmica do mercado mudou com o surgimento de navegadores alternativos e plataformas móveis. A Microsoft acabou aposentando o aplicativo antigo, encerrando oficialmente o suporte ao Internet Explorer 11 para os usuários principais do Windows 10 em 15 de junho de 2022, enquanto direcionava seu foco para o Microsoft Edge. No entanto, a arquitetura técnica construída durante os primeiros anos de expansão do navegador sobreviveu ao próprio aplicativo. O motor de renderização Trident continua recebendo suporte dentro do Modo IE integrado ao Microsoft Edge até pelo menos 2029. Essa continuidade permite que softwares web corporativos antigos, criados durante o auge do Internet Explorer, sigam funcionando em sistemas operacionais modernos décadas depois.

Ilustração editorial gerada por IA; não é uma fotografia documental.

Fonte: Internet Explorer