09.10.2026 · Signal Titans Editorial
Minicomputadores Honeywell e lógica reengenheirada: como a BBN criou os primeiros roteadores
Como a Bolt Beranek and Newman adaptou minicomputadores Honeywell para criar os primeiros roteadores e estabelecer a base da arquitetura de redes.

No fim de 1968, a Advanced Research Projects Agency, do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, escolheu a Bolt Beranek and Newman, uma empresa de Cambridge originalmente criada como laboratório de acústica, para construir os primeiros nós de hardware especializados da ARPANET. Em julho daquele ano, o gerente do programa, Larry Roberts, havia lançado uma solicitação de propostas para a construção dos Interface Message Processors, que funcionariam como os primeiros roteadores de computadores do mundo. A BBN venceu concorrentes maiores da indústria de defesa ao propor a adaptação de um equipamento comercial já existente, em vez de construir uma máquina dedicada do zero.
Adaptando a estrutura do minicomputador
A BBN escolheu o Honeywell 516, um minicomputador aproximadamente do tamanho de uma geladeira doméstica, como base de hardware para encaminhar dados entre mainframes diferentes. Alimentada pela corrente elétrica comum das residências, a máquina da Honeywell oferecia uma plataforma relativamente barata e confiável para a comutação de pacotes. Isso permitiu que a BBN concentrasse seu esforço de projeto em interfaces especializadas e em um software de controle desenvolvido para a tarefa.
Colocando o hardware da Honeywell sob pressão
O gerente do projeto na BBN era Frank Heart, que conduziu o trabalho de engenharia com Severo Ornstein como principal arquiteto de hardware e Will Crowther à frente do desenvolvimento de software. A missão era modificar o Honeywell 516 para que ele administrasse o roteamento de pacotes em alta velocidade em uma rede inicial de quatro nós, ligando a UCLA, o Stanford Research Institute, a UC Santa Barbara e a University of Utah.
Embora o minicomputador da Honeywell já estivesse estabelecido no mercado, a BBN levou seus componentes internos a níveis de desempenho que revelaram falhas de hardware até então desconhecidas. A equipe de engenharia corrigiu esses problemas sutis sob forte pressão de prazo e preparou a primeira unidade concluída para ser entregue à Califórnia no fim do verão de 1969.
A demonstração de loopback e a primeira queda
A primeira demonstração pública ocorreu no fim de agosto de 1969, na UCLA. Um mainframe Scientific Data Systems Sigma 7 enviou um pacote de dados ao IMP recém-entregue, que encaminhou o pacote de volta diretamente para a tela do computador de origem em um teste de loopback. Dois meses depois, em 29 de outubro de 1969, a rede tentou sua primeira transmissão entre hosts, ligando a UCLA ao SRI.
O programador da UCLA Charley Kline estava diante de um terminal conectado ao Sigma 7 e começou a digitar, por uma linha telefônica, o comando LOGIN para o computador SDS 940 do SRI. O sistema recebeu com sucesso as letras L e O, mas caiu quando Kline digitou G. Assim, LO se tornou a primeira transmissão inter-host registrada pela rede.
Dos bits arbitrários ao endereçamento universal
No início dos anos 1970, a rede se expandiu pelos Estados Unidos, mas o tráfego continuava baixo porque os sistemas conectados não dispunham de protocolos padronizados para interpretar os dados. A BBN e pesquisadores acadêmicos enfrentaram esse problema desenvolvendo padrões de nível mais alto, como o Telnet e o File Transfer Protocol.
No início de 1972, o programador da BBN Ray Tomlinson introduziu o e-mail entre hosts diferentes e estabeleceu um formato de endereçamento que separava o nome de usuário local do nome de um computador host específico por meio do símbolo @. Essa única inovação permitiu que computadores independentes na rede identificassem os destinatários das mensagens sem manter um diretório centralizado único.
A adaptação de minicomputadores padronizados para transformá-los em nós dedicados de rede demonstrou que sistemas incompatíveis podiam trocar dados comutados por pacotes de maneira confiável e a longas distâncias. Ao isolar as tarefas de roteamento em hardware especializado de gateway, a equipe estabeleceu o padrão arquitetural fundamental que continua direcionando o tráfego da infraestrutura moderna da internet.
Ilustração editorial gerada por IA; não é uma fotografia documental.
Fonte: A Web Around the World, Part 9: A Network of Networks