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08.10.2026 · Signal Titans Editorial

Mainframes, sintetizadores e rolos de 16 mm: a colaboração artística de Richard Moore e Lillian Schwartz na Bell Labs

Como o compositor F. Richard Moore e a artista Lillian Schwartz usaram mainframes, GROOVE e MUSIC V na Bell Labs para criar música digital e animação.

Gravador de rolo abstrato em bronze e cobre com fitas luminosas de luz turquesa e magenta fluindo sobre um fundo índigo escuro.

Em abril de 1971, o compositor e pesquisador F. Richard Moore publicou um ensaio no Volume 4, Edição 6 da revista Filmmakers Newsletter, questionando se a computação em mainframes poderia servir como um meio compartilhado para esculpir uma equação ou transmutar uma sinfonia. Nos Bell Telephone Laboratories, Moore explorava essa indagação ao lado da cineasta Lillian F. Schwartz. Trabalhando no grupo do pesquisador Max Mathews, a dupla transformou computadores do tamanho de salas inteiras em um estúdio para cinema experimental, unindo animações pioneiras geradas por computador a uma síntese sonora digital inédita.

Um estúdio inesperado nos Bell Telephone Laboratories

A colaboração começou em 1970, quando Schwartz criou seu primeiro filme na Bell Labs, intitulado Pixillation. Para construir as sequências animadas por computador, ela trabalhou ao lado de Ken Knowlton, pesquisador da Bell Labs que já havia criado uma linguagem de programação especializada para a saída de animação em mainframes. Schwartz aplicou camadas, cores e editou fisicamente essas sequências geradas por computador, combinando-as com elementos pintados à mão e filmagens convencionais. Para compor a trilha sonora da primeira versão do filme, Moore recorreu a sistemas digitais que estavam em desenvolvimento dentro do laboratório, buscando uma forma de harmonizar os gráficos do mainframe com o som eletrônico.

Performance em tempo real e mainframes digitais: GROOVE e MUSIC V

Para criar a trilha de Pixillation, Moore utilizou o GROOVE, um sistema de música computacional em tempo real desenvolvido em parceria com Max Mathews. O sistema permitia que o operador usasse dispositivos de entrada físicos — incluindo botões giratórios, chaves, uma máquina de escrever elétrica, um joystick e, posteriormente, um teclado de piano — para enviar instruções digitais interativas ao computador. O mainframe registrava a sequência dessas ações de performance e retransmitia sinais de comando para uma grande estante de sintetizadores analógicos Moog, osciladores, filtros e amplificadores.

Para o filme Affinities, de 1972, concebido inteiramente com sequências animadas por computador, Moore migrou para um ambiente de software diferente chamado MUSIC V. Estruturado em código FORTRAN IV, o MUSIC V exigia que os usuários programassem notas e geradores de som digital pré-programados por meio de cartões perfurados ou terminais. O mainframe gerava uma fita magnética como saída, a qual era transferida por equipamentos de conversão para produzir uma gravação em fita de áudio. Moore utilizou o MUSIC V para sintetizar a variação de Beethoven para o dueto "Là ci darem la mano", de Mozart. Quando os críticos analisaram a trilha sonora digital, rejeitaram a composição, descrevendo o áudio sintetizado como puro demais e perfeito demais.

Transformando exames médicos e cintilação óptica

A dupla continuou expandindo os limites visuais e sonoros nos projetos seguintes. No filme Apotheosis, de 1972, Schwartz afastou-se dos gráficos de mainframe para manipular imagens de tomografia por emissão de pósitrons — o exame de PET scan — obtidas no consultório de seu marido, que era pediatra. Creditadas como "Estrelando David Stirling", as imagens do decaimento de radiação interna do jovem paciente foram transformadas, por meio de técnicas ópticas de cinema, em geometrias visuais de baixa resolução acompanhadas pela composição eletrônica de Moore.

Simulando galáxias nos mainframes da NASA

Em 1974, Schwartz buscou inspiração além da Bell Labs para o filme Galaxies, adaptando simulações astrofísicas criadas pelo Dr. Frank Hohl no Centro de Pesquisas Langley, da NASA. Hohl utilizava mainframes da NASA para simular a dinâmica galáctica com milhares de estrelas se movendo individualmente. Moore acompanhou as animações dinâmicas de Hohl compondo redemoinhos de notas efêmeras e de curta duração, que subiam e desciam em sintonia com os pontos estelares em movimento.

Hoje, a síntese de áudio digital e as imagens geradas por computador são ferramentas fundamentais no cinema e nas mídias modernas. As cópias preservadas em filme de 16 mm, doadas pela família de Moore ao Computer History Museum, documentam como essas primeiras ferramentas digitais transformaram mainframes gigantescos em instrumentos compartilhados a serviço do som e do cinema.

Ilustração editorial gerada por IA; não é uma fotografia documental.

Fonte: Music-Film-Computers