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07.10.2026 · Signal Titans Editorial

Linhas de código e fricção burocrática: os bastidores da aliança entre IBM e Microsoft em 1985

Como o acordo de 1985 entre IBM e Microsoft para criar o CP-DOS resultou em choques culturais, debates sobre produtividade e um desvio de US$ 1,5 milhão.

Uma ilustração editorial ampla retratando uma maciça estrutura geométrica azul entrelaçada com uma cunha angular verde e afiada em um interior de escritório moderno.

Em 22 de agosto de 1985, Bill Gates assinou um Acordo de Desenvolvimento Conjunto com Bill Lowe, então presidente da Divisão de Sistemas de Entrada da IBM. A assinatura ocorreu em um momento no qual a IBM enfrentava um grave gargalo técnico em sua linha de computadores pessoais. Lançado em agosto de 1984, o IBM PC/AT vinha equipado com o processador 80286 da Intel. Embora o chip conseguisse endereçar até 16 MB de memória em seu modo protegido, o sistema operacional MS-DOS existente operava apenas no modo real, mantendo o limite de memória do sistema em 1 MB e deixando os usuários com apenas 640 KB de RAM utilizável.

O dilema do 80286 e a busca estratégica da IBM

Para substituir o MS-DOS, a diretoria da IBM avaliou três caminhos estratégicos. Uma opção era licenciar o sistema operacional Unix, da AT&T, que a Microsoft já distribuía sob o nome Xenix. Outra alternativa consistia em reaproveitar um projeto interno chamado Mermaid, derivado de um software criado no final de 1983 para o 3270 PC, que trazia suporte a multitarefa e uma interface inicial por janelas. No fim das contas, apesar da relutância interna em manter a dependência da Microsoft, a IBM decidiu fazer parceria com Gates para criar um sistema operacional totalmente novo.

O pacto de agosto de 1985 e o nascimento do CP-DOS

O pacto firmado em agosto de 1985 estabeleceu que ambas as companhias continuariam a manter o MS-DOS enquanto construíam juntas o seu sucessor, batizado inicialmente de CP-DOS. As especificações arrojadas previam um sistema operacional capaz de extrair todo o potencial do modo protegido do 80286, oferecendo multitarefa preemptiva, memória virtual, proteção de memória por hardware e drivers de dispositivo padronizados para isolar as aplicações dos componentes físicos.

Entretanto, a colaboração rapidamente expôs uma forte fricção operacional entre as duas organizações. Diferente do início dos anos 1980, durante a criação do IBM PC original — quando a IBM dava total autonomia para a Microsoft decidir sobre o software —, a IBM agora fazia questão de codesenvolver e aprovar cada especificação do CP-DOS.

Divergências sobre métricas e autoridade

Quando os trabalhos práticos de engenharia começaram, no início de 1986, as diferenças metodológicas se tornaram evidentes. A IBM media a produtividade dos programadores pela quantidade de linhas de código produzidas por dia — uma métrica bastante criticada por Gates por incentivar o desenvolvimento de softwares pesados e ineficientes. Na Microsoft, os engenheiros ficavam frustrados com a morosidade das aprovações na IBM, onde correções simples de bugs chegavam a levar semanas passando pela revisão de comitês conjuntos.

Apesar de manter convicções firmes, Gates exibia uma postura incomumente contida durante as reuniões conjuntas, segundo relata Scott MacGregor, ex-gerente do projeto Windows. Nas negociações do contrato, Gates cedeu à IBM a autoridade final sobre as especificações e a implementação do CP-DOS, aceitando que a gigante dos computadores ficasse com a propriedade total do produto final.

A reviravolta do TopView e um desvio de US$ 1,5 milhão

Esse desequilíbrio na tomada de decisões desencadeou um grande impasse técnico em relação à interface gráfica do sistema operacional. A Microsoft tentou emplacar o Windows como a interface principal do CP-DOS. A IBM rejeitou a proposta de imediato, exigindo que o CP-DOS fosse lançado com o TopView na linha de frente para garantir a continuidade aos primeiros usuários desse ambiente.

Diante da resistência de Gates ao TopView, a IBM sugeriu que a Microsoft procurasse uma equipe sediada em Berkeley, a Dynamical Systems Research, que havia desenvolvido uma versão portátil, rápida e compacta do TopView. Em junho de 1986, o executivo Steve Ballmer liderou a aquisição da empresa por US$ 1,5 milhão. Apenas um mês depois, em julho de 1986, a IBM mudou de ideia repentinamente e descartou de vez a exigência de usar o TopView no CP-DOS.

Essa mudança súbita deixou a Microsoft com uma conversão de software inútil em mãos, embora a engenharia conjunta tenha seguido em frente sob clima tenso. Os percalços durante o desenvolvimento do CP-DOS deixaram explícita a incompatibilidade entre o modelo burocrático da IBM e a estratégia de software ágil da Microsoft, moldando os rumos dos sistemas operacionais para computadores pessoais.

Ilustração editorial gerada por IA; não é uma fotografia documental.

Fonte: Doing Windows, Part 4: The Rapprochement A Quick Tour of the OS/2 1.1 Presentation Manager