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09.10.2026 · Signal Titans Editorial

Dos orbitadores de espionagem da Força Aérea ao controle do Ônibus Espacial: a jornada de doze anos do Grupo 7 da NASA

Como sete pilotos militares migraram do cancelado Manned Orbital Laboratory para integrar o Grupo 7 da NASA e liderar a era do Ônibus Espacial.

Uma elegante estação espacial cilíndrica de prata com uma escotilha escura flutua sobre a curva azul suavemente iluminada da Terra no espaço azul-marinho profundo.

Quando a Força Aérea dos Estados Unidos cancelou abruptamente o Manned Orbital Laboratory em 10 de junho de 1969, sete pilotos militares treinados para missões secretas de reconhecimento perderam sua nave espacial. No entanto, esse cancelamento militar acabou fornecendo o núcleo do corpo de pilotos e a liderança executiva do programa do Ônibus Espacial da NASA. Segundo a NASA, a decisão suspendeu os trabalhos em um projeto secreto de estação espacial projetado para coletar dados de inteligência durante a Guerra Fria. Em vez de deixar anos de preparação militar especializada em voos espaciais irem para o lixo, a NASA absorveu um grupo seleto de aviadores mais jovens, dando início a uma transição de doze anos entre os conceitos orbitais de espionagem militar e as operações civis com aviões espaciais.

Fotografia: Robert L. Crippen
Fotografia: Robert L. Crippen. Foto: NASA. Wikimedia Commons · Public domain. Redimensionada e convertida para WebP; sem retoques.

Uma estação de reconhecimento abortada

O projeto cancelado da Força Aérea foi construído em torno de um laboratório orbital de 60 pés de comprimento, projetado para ser ocupado por tripulações de duas pessoas por 30 dias de cada vez. Os membros da tripulação deveriam lançar e retornar a bordo de uma cápsula Gemini-B modificada, que apresentava uma escotilha cortada diretamente em seu escudo térmico para que os astronautas pudessem passar para o módulo de laboratório sem a necessidade de realizar uma caminhada espacial. Operando em órbitas terrestres polares baixas, a missão principal da estação dependia de uma carga útil óptica codinomeada Dorian, que carregava a designação Keyhole KH-10. A carga útil contava com um espelho primário de 72 polegadas projetado para reconhecimento militar de alta resolução. Os planos previam o lançamento desses conjuntos de equipamentos no topo de foguetes Titan-IIIM a partir do Complexo de Lançamento Espacial 6 na Base da Força Aérea de Vandenberg, na Califórnia, onde a construção da plataforma de lançamento foi suspensa quando o programa chegou ao fim.

A transferência para Houston

Em 14 de agosto de 1969, a NASA anunciou que absorveria pilotos militares do programa cancelado que tivessem menos de 35 anos de idade. Essa seleção estabeleceu o Grupo 7 de Astronautas da NASA, composto pelos majores da Força Aérea Karol J. Bobko, C. Gordon Fullerton, Henry W. Hartsfield e Donald H. Peterson; os comandantes da Marinha Robert L. Crippen e Richard H. Truly; e o major do Corpo de Fuzileiros Navais Robert F. Overmyer. Um oitavo aviador do projeto, o tenente-coronel da Força Aérea Albert H. Crews — que anteriormente havia voado no programa de corpo sustentador X-20 Dyna-Soar até seu cancelamento em 1963 — foi designado para a Diretoria de Operações de Tripulação de Voo no Manned Spacecraft Center em Houston, em vez de ingressar no grupo ativo de candidatos a astronauta.

Doze anos em terra

Ingressar na NASA em 1969 não garantiu designações orbitais rápidas para o Grupo 7. Com o encerramento dos voos lunares da Apollo e o desenvolvimento do Ônibus Espacial se estendendo ao longo da década, o grupo permaneceu em terra por quase doze anos antes que qualquer membro voasse para o espaço. Esse período terminou em abril de 1981, quando Robert L. Crippen pilotou a missão inaugural do Ônibus Espacial, a STS-1, ao lado do veterano da Apollo John Young. Após o voo de estreia de Crippen, os seis astronautas transferidos restantes registraram, cada um, voos espaciais orbitais a bordo do Ônibus Espacial durante a década de 1980.

Das plataformas de lançamento à liderança executiva

Além de suas funções de voo, os membros do Grupo 7 assumiram importantes papéis administrativos na agência. Richard H. Truly atuou como administrador da NASA entre 1989 e 1992, liderando a agência durante o retorno aos voos após o acidente do Challenger. Robert L. Crippen dirigiu o Centro Espacial Kennedy de 1992 a 1995, depois de comandar múltiplas missões do ônibus espacial. Enquanto isso, Albert H. Crews trabalhou como piloto da agência em Houston até 1994.

Todos os sete aviadores militares transferidos acabaram voando a bordo do Ônibus Espacial durante a década de 1980, transformando o desfecho de uma estação de reconhecimento cancelada da Guerra Fria na principal experiência de tripulação de voo e liderança executiva da era dos ônibus espaciais da NASA.

Imagem de capa: ilustração gerada por IA; não é uma fotografia documental.

Fonte: 50 Years Ago: NASA Group 7 Astronaut Selection