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09.10.2026 · Signal Titans Editorial

Das peças de Akihabara à diversidade dos anticorpos: a jornada de Tasuku Honjo na biologia molecular

Como Tasuku Honjo superou limitações de recursos no Japão do pós-guerra para revelar a maquinaria genética da diversidade imunológica.

Um telescópio de latão polido sobre uma mesa de madeira de mogno apontado para uma estrutura molecular flutuante de dupla hélice azul brilhante.

Em 1º de agosto de 1945, Tasuku Honjo, então com apenas três anos de idade, escapou dos bombardeios incendiários na cidade de Toyama nas costas de sua mãe, logo após uma bomba incendiária não detonada atingir o abrigo no jardim da família. Criado na cidade de Ube, seu fascínio precoce pela ciência começou na Escola Primária Kamihara, onde ele observou os anéis de Saturno por meio de um telescópio portátil. Embora inicialmente planejasse seguir carreira na astronomia, uma biografia do microbiologista Hideyo Noguchi, presenteada por sua mãe, redirecionou sua ambição para a medicina e a bioquímica.

Primeiras descobertas no laboratório

Honjo ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Quioto por volta de 1960 e integrou o laboratório do bioquímico Osamu Hayaishi durante seus estudos de pós-graduação, de 1967 a 1971. No verão de 1967, ele concentrou suas pesquisas em compreender por que a toxina diftérica necessita do cofator metabólico NAD para bloquear a síntese de proteínas celulares. Segundo a biografia publicada pela Fundação Nobel, Honjo utilizou formas marcadas de NAD disponíveis no laboratório para demonstrar que a toxina diftérica atua como uma enzima. Ele provou que a toxina catalisa a transferência da fração ADP-ribose do NAD para o fator de elongação 2 (EF-2), consolidando sua reputação inicial no campo da biologia molecular.

Ferramentas improvisadas e a epifania no trem

Em busca de formação internacional, Honjo mudou-se para os Estados Unidos para integrar o laboratório de Philip Leder nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), onde estudou a genética da diversidade de anticorpos. Ao retornar ao Japão em 1974 para estabelecer sua própria linha de pesquisa na Universidade de Tóquio, enfrentou severas limitações materiais e escassez de financiamento laboratorial. Para construir os equipamentos essenciais, ele percorreu o distrito eletrônico de Akihabara para comprar placas grossas de borracha, mangueiras e telas, montando seu próprio secador de gel a vácuo para eletroforese de proteínas.

Em 1978, durante seus deslocamentos diários de trem de 90 minutos entre Yokohama e Tóquio, Honjo analisou dados experimentais sobre a perda de genes da região constante em células de mieloma. Ao examinar minuciosamente os padrões ao longo do trajeto, ele formulou o modelo da hipótese de deleção de DNA para a recombinação de troca de classe, detalhando como os linfócitos B alteram a classe de anticorpos que produzem.

Desvendando a maquinaria da imunidade

Honjo expandiu seu foco para os sinais moleculares que orientam a adaptação imunológica. Ao expressar bibliotecas de cDNA em oócitos de anfíbios, sua equipe de pesquisa isolou a interleucina-4 (IL-4) e a interleucina-5 (IL-5), citocinas fundamentais na regulação da troca de classe e na diferenciação celular. Em 1999, Honjo e Masamichi Muramatsu identificaram a citidil deaminase induzida por ativação (AID), uma enzima expressa especificamente em linfócitos B ativados dentro dos centros germinativos. Experimentos subsequentes de nocaute gênico confirmaram que a AID é a enzima essencial exigida tanto para a recombinação de troca de classe quanto para a hipermutação somática.

A mecânica da adaptação imunológica

Ao validar o modelo de deleção de DNA e isolar a enzima AID, Honjo revelou os mecanismos genéticos primários que explicam como o sistema imunológico humano se adapta para resistir a patógenos diversos. Suas descobertas demonstraram como rearranjos direcionados de DNA permitem que um conjunto limitado de genes herdados gere milhões de variantes protetoras de anticorpos.

Ilustração editorial gerada por IA; não é uma fotografia documental.

Fonte: Nobel Prize Tasuku Honjo