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06.10.2026 · Signal Titans Editorial

A Guerra dos Barramentos de 1988: Como uma aliança aberta venceu o bloqueio tecnológico

Como a Compaq e a Gangue dos Nove criaram o padrão EISA em 1988 para derrotar a arquitetura proprietária da IBM e manter o hardware de PC aberto.

Uma ilustração editorial mostrando uma placa de expansão de computador metálica escura dividida na diagonal, com nove conectores metálicos de cor bronze âmbar brilhante em um dos lados.

Em 9 de setembro de 1986, a Compaq lançou o Deskpro 386, tornando-se a primeira fabricante de clones a comercializar um computador pessoal de 32 bits mais rápido do que qualquer modelo oferecido pela IBM. Construída em torno do processador Intel 80386, a máquina da Compaq ameaçava tomar a liderança tecnológica da IBM, que havia estabelecido o padrão dos microcomputadores cinco anos antes. O diretor executivo da Compaq, Rod Canion, declarou que o equipamento representava a terceira geração da revolução dos computadores pessoais, posicionando sua empresa ao lado da Apple e da IBM. No entanto, o Deskpro 386 enfrentava uma limitação mecânica: seu barramento de expansão interno permanecia preso a vias mais antigas de 16 bits, forçando o veloz processador a esperar sempre que se comunicava com placas de expansão.

Fotografia: Rod Canion
Fotografia: Rod Canion. Foto: Montclair Film. Wikimedia Commons · CC BY 2.0. Redimensionada e convertida para WebP; sem retoques.

Bloqueando o barramento

A IBM respondeu em abril de 1987 com o lançamento da série Personal System/2, apresentando um projeto de barramento proprietário chamado Micro Channel Architecture. Projetada para tirar proveito total do chip Intel 80386 de 32 bits nos modelos de ponta, a Micro Channel Architecture oferecia maior taxa de transferência de dados, mas rompia deliberadamente a compatibilidade com versões anteriores de hardware. Ao contrário dos slots de expansão abertos do IBM PC original, a IBM patenteou a Micro Channel Architecture e suas placas de expansão. Qualquer fabricante de clones ou de placas adicionais que quisesse construir hardware compatível precisava negociar uma licença e pagar royalties diretamente à IBM, em uma tentativa de bloquear concorrentes no futuro mercado de PCs.

Gargalos de software e atritos de marketing

A nova linha de produtos enfrentou atrito imediato quanto aos preços e às limitações de software. Os modelos PS/2 variavam de US$ 2.295 para sistemas básicos de 16 bits a quase US$ 7.000 para modelos de mesa topo de linha vendidos sem monitor. A IBM promoveu as máquinas com comerciais de televisão estrelados pelo elenco da série de comédia M*A*S*H, mas a campanha suntuosa pouco fez para suavizar o ceticismo dos compradores. Os modelos PS/2 mais avançados vinham com 1 MB de memória de sistema, mas o MS-DOS restringia a memória utilizável a apenas 640 KB. Embora grandes compradores corporativos, como a United Airlines, tenham feito compromissos expressivos — adquirindo 40.000 unidades do PS/2 para seus sistemas de reservas —, muitas empresas hesitaram em adotar o dispendioso padrão.

A resposta da Gangue dos Nove

O diretor executivo da Compaq, Rod Canion, comparou publicamente a iniciativa da IBM ao recente erro de marketing da New Coke, uma narrativa que ganhou força em toda a imprensa de negócios. A adoção no mercado refletia a hesitação dos clientes: dezessete meses após a estreia da Micro Channel Architecture, 66% dos computadores pessoais corporativos vendidos mensalmente ainda usavam a antiga arquitetura de barramento de 16 bits, enquanto a MCA correspondia a apenas 20% das vendas. Em 13 de setembro de 1988, nove grandes fabricantes de hardware clone liderados pela Compaq anunciaram a Extended Industry Standard Architecture, ou EISA. Apoiado discretamente pela Microsoft e pela Intel, o consórcio — apelidado pela imprensa do setor de 'Gangue dos Nove' — projetou a EISA para oferecer velocidade de 32 bits, mantendo total compatibilidade retroativa com placas de expansão antigas de 8 e 16 bits.

O predomínio dos ecossistemas modulares

O lançamento da EISA impediu que a IBM estabelecesse um monopólio fechado e proprietário sobre o mercado de computação pessoal de 32 bits. Ao oferecer um padrão de desempenho aberto que preservava os investimentos já feitos em hardware, a aliança forçou a Micro Channel Architecture a permanecer em um nicho especializado. A resolução da guerra dos barramentos estabeleceu que os compradores corporativos preferiam padrões abertos em vez do controle de um único fornecedor, garantindo que o ecossistema de computadores pessoais permanecesse modular, competitivo e definido pela compatibilidade de hardware compartilhada.

Imagem de capa: ilustração gerada por IA; não é uma fotografia documental.

Fonte: IBM’s New Flavor