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05.10.2026 · Signal Titans Editorial

Mary Letitia Caldwell e a purificação da amilase

Como Mary Letitia Caldwell provou que enzimas são proteínas, purificou a amilase pancreática e orientou cientistas na Universidade de Columbia.

Uma ilustração editorial de um frasco de vidro âmbar contendo um líquido turquesa sobre uma mesa de laboratório de mogno, ao lado de uma pipeta de vidro.

Em 1929, Mary Letitia Caldwell foi nomeada a primeira professora da Universidade de Columbia, mas sua situação institucional permanecia precária. Segundo uma biografia científica publicada pelo Science History Institute, embora tenha alcançado o cargo de professora assistente, Columbia exigiu que ela renovasse sua contratação em vínculos de curto prazo, ano a ano, até 1938. Nascida em 1890 em Bogotá, na Colômbia, filha de pais missionários presbiterianos, Caldwell já havia construído uma base sólida em pesquisas químicas. Sua nomeação histórica em Columbia marcou um divisor de águas para as mulheres na academia norte-americana, enquanto suas inovações laboratoriais na purificação de enzimas redefiniriam a bioquímica industrial.

Das raízes missionárias aos laboratórios de Columbia

Caldwell concluiu sua graduação no Western College for Women em 1913, antes de aceitar uma bolsa de pós-graduação na Universidade de Columbia em 1918. Sob a orientação do nutricionista e químico de alimentos Henry C. Sherman, ela concluiu o doutorado em 1921 com uma tese que examinava como as enzimas pancreáticas decompõem os amidos em açúcares mais simples. Na década de 1920, as amostras comerciais de aminoácidos eram frequentemente impuras e difíceis de obter, o que levou Caldwell a criar técnicas personalizadas de preparação e purificação. Esse foco metódico no refinamento de materiais experimentais estabeleceu a base para sua carreira em Nova York.

Desafiando a tradição e purificando a amilase

Em Columbia, Caldwell e Sherman desafiaram diretamente o consenso científico dominante, liderado pelo prêmio Nobel alemão Richard Willstätter, ao demonstrar que as enzimas são fundamentalmente proteínas. Para comprovar esse mecanismo biológico, Caldwell desenvolveu procedimentos especializados para isolar e purificar a amilase pancreática, tornando-se a primeira pesquisadora a cristalizar a enzima. A cristalização permitiu que os cientistas medessem a estabilidade e a atividade enzimática com uma precisão sem precedentes. Seu modelo de purificação foi amplamente adotado em ambientes acadêmicos e industriais, promovendo parcerias de pesquisa com entidades como a Corn Industries Research Foundation e a Takamine Ferment Company. Empresas comerciais acabaram adaptando seus procedimentos para produtos que variavam de colas para papel de parede à fabricação de alimentos preparados.

Navegando pela academia como uma pioneira

Apesar de suas realizações científicas, Caldwell enfrentou uma persistente disparidade de gênero em seu departamento. Como recordou sua ex-aluna Marie Maynard Daly, os colegas frequentemente se dirigiam a Caldwell como "Miss Caldwell", apesar de seu título de doutora, enquanto a própria Caldwell fazia questão de tratar seus orientandos aprovados como "Dr." ou "Dra." imediatamente após as defesas de tese. Caldwell também assumiu pesadas responsabilidades administrativas, gerenciando disciplinas, bolsas de estudo e o agendamento do departamento após a aposentadoria de Sherman. Ela manteve renovações contratuais anuais até 1938, tornou-se professora associada em 1943 e foi promovida a professora titular em 1948.

Um legado de mentoria e reconhecimento

Ao longo de seus 40 anos de carreira em Columbia, Caldwell orientou 18 doutorandos e promoveu um ambiente de pesquisa acolhedor para mulheres na química. Alunas como Florence Mindell reconheceram publicamente a orientação de Caldwell na análise da atividade da amilase pancreática. Caldwell se aposentou de Columbia em 1959 e, em 1960, a American Chemical Society honrou sua trajetória concedendo-lhe a Medalha Garvan. Seus métodos padronizados de purificação estabeleceram uma ponte científica sólida entre a pesquisa biológica básica e o processamento químico industrial.

Ilustração editorial gerada por IA; não é uma fotografia documental.

Fonte: Mary Letitia Caldwell