09.10.2026 · Signal Titans Editorial
Oito semanas em Harvard Square: como Paul Allen e Bill Gates criaram o motor do software da Microsoft
No final de 1974, Paul Allen e Bill Gates decidiram criar um interpretador BASIC para um computador que não possuíam, dando origem à Microsoft.

No final de 1974, Paul Allen, que trabalhava como programador na Honeywell, notou a edição de janeiro de 1975 da revista Popular Electronics enquanto caminhava por Harvard Square. A capa da publicação destacava o Altair 8800, um novo equipamento fabricado pela Micro Instrumentation and Telemetry Systems (MITS) e reconhecido como o primeiro microcomputador comercial. Allen comprou o exemplar e foi direto para a Currier House, na Harvard College, para apresentar o artigo ao seu amigo dos tempos de escola, Bill Gates. Aquela única edição de revista deu início a um projeto que transformaria a computação pessoal, deixando de ser um mero passatempo para entusiastas para se tornar uma indústria comercial de software.
A descoberta em Harvard Square
Quando Allen compartilhou a capa da revista com Gates na Currier House, ambos os programadores identificaram imediatamente um obstáculo técnico e uma oportunidade comercial. A MITS havia produzido um chassi de hardware compacto para o microcomputador, mas o sistema carecia de um software de programação de alto nível que permitisse aos usuários escrever e executar códigos de forma simples. Gates entrou em contato com a MITS em Albuquerque, no Novo México, oferecendo-se para demonstrar uma implementação funcional da linguagem de programação BASIC projetada especialmente para o Altair 8800. No momento em que fez a proposta, contudo, nem Gates nem Allen possuíam um Altair 8800 ou haviam escrito um interpretador para aquela plataforma.
A maratona de oito semanas
Para construir um interpretador funcional sem ter acesso físico ao hardware de destino, Allen e Gates precisaram simular o ambiente do Altair 8800 em outros equipamentos de computação. Trabalhando ao lado do programador Monte Davidoff ao longo de um período intensivo de oito semanas, a equipe desenvolveu o interpretador de software do zero. Eles escreveram o código para traduzir as instruções em BASIC nas instruções de máquina específicas exigidas pelo processador do Altair, baseando-se inteiramente em especificações de hardware em vez de testes no sistema real. Sem uma unidade física do Altair em mãos, a base de código do software permaneceu sem testes em hardware real de microcomputador até o momento da demonstração.
Testes em Albuquerque
Assim que a maratona de desenvolvimento de oito semanas chegou ao fim, Allen viajou para Albuquerque para apresentar o interpretador concluído na sede da MITS. Ao carregar o código em um microcomputador Altair 8800 real pela primeira vez durante a reunião, Allen observou o interpretador inicializar e executar comandos de software com sucesso, sem travar a máquina. Impressionada com a demonstração ao vivo, a MITS assinou um contrato para distribuir o software com o nome comercial de Altair BASIC, garantindo o primeiro licenciamento comercial para o código da dupla.
O nascimento da Micro-Soft
Após fechar o acordo de licenciamento com a MITS, Allen mudou-se para Albuquerque, e Gates logo abandonou a Harvard College para se juntar a ele em tempo integral no Novo México. Os sócios cofundaram o negócio em Albuquerque, escolhendo o nome Micro-Soft como um acrônimo para microcomputador e software. A jovem empresa estabeleceu suas operações iniciais e começou a contratar funcionários, gerando um total de US$ 16.005 em receitas até o final de 1976.
A implantação bem-sucedida do Altair BASIC provou que o software para microcomputadores podia existir como um produto comercialmente viável e autônomo, independente da fabricação de hardware. Ao transformar oito semanas de criação focada de software em um acordo com a MITS, Allen e Gates estabeleceram um modelo de licenciamento que definiria a trajetória de sua empresa à medida que ela se expandia para além de Albuquerque e se transformava na Microsoft.
Ilustração editorial gerada por IA; não é uma fotografia documental.
Fonte: History of Microsoft